sexta-feira, 31 de maio de 2013

Sem causar alvoroço nem consequências






o gris do dia me acomoda. Mia Couto me circunda. palavras para se transcender o óbvio. me envolvo. aceito. luto. discordo. tudo se dá de um modo novo, prisma de mil cores. filmes me conquistam. os argentinos, em especial os de Campanella. riso, tragédia e toda sorte de alegrias fluidas. "O Filho da Noiva"  [aqui] vale uma taça de vinho tinto para brindar depois. tudo o que me cerca acende uma luz em mim. dessas que ofuscam e se bastam. não aquelas que piscam.
 tudo é comovente, até meu silêncio dolorido.






quinta-feira, 30 de maio de 2013

Se abrimos as mãos, o universo inteiro cabe nelas.






”Quando você vê o que ultrapassou, tem a impressão de que seguiu um enredo já escrito. Entretanto, no momento da ação, parece que está perdido em uma tempestade: uma surpresa atrás da outra, e muitas vezes sem tempo para respirar − sendo obrigado a tomar decisões o tempo todo. Só mais tarde irá compreender que cada surpresa, cada decisão, fazia sentido.”

Joseph Campbell, em “A arte de viver”.















[quando a fé brota ,
ela dá à luz
a esperança ]




Alinhava o verso










(..) o tempo vai cicatrizando as  feridas . e só muito mais tarde soube, pelo voo inquieto dos pássaros e pelos latidos do cão vizinho  que te espreitava, que o teu caminho não estava ainda encontrado, embora parecesses ter chegado quase à tona do labirinto.    a minha mais perfeita medida era o aperto do coração, esvaziado de outros sentires, que outrora apenas batia ao compasso do teu, como se um novo parto nos unisse outra vez e fôssemos só nós a decidir por que luta se morre ou se nasce.  
preferiria que o amor vencesse sempre.






´é uma luta fantasma
vazia, contra nada
não diz a coisa, diz vazio,
nem diz coisas,
é balbucio.´
João Cabral de Melo Neto



quarta-feira, 29 de maio de 2013

No centro de um infinito

.
  (..) os meus dias anoitecem devagar e se aconchegam na escuridão da noite. mas ás vezes, apenas por um momento, a vida pára.    para nesse instante eu poder ser tudo.  sentir tudo. qualquer coisa que tenho em mente pode, de repente, tornar-se real.  talvez me aches estranha, ou nem sempre esteja suficientemente atento para notar o que esta acontecendo comigo. esmiuço: é um intervalo no tempo, suspenso, que se limita a acontecer, não acontecendo.   isento de coordenadas.  flutuante no vazio. onde habitam todas as possibilidades, todas as hipóteses, todas as escolhas.  hoje, num batimento mais descompassado da hora, encontrei-me lá. no centro de um infinito de perspectivas, esperanças e probabilidades.  
é um tempo que gosto de ter.











[anoitecida pelo silêncio....aqui ]

O prefácio do que vem a seguir.


(..) a cena é pitoresca, no banco em frente ao mar,  ela se deita de costas com os braços esticados como quem toma sol , ou esta na cruz.    se  pudesse agarrar o tempo nas mãos, poderia dizer que tinha controle sobre todos os gestos e todos os sentimentos. cada dia seria uma conjugação de todos os passos e ações premeditados . se isto implica uma suposta perfeição ou uma obsessiva forma de viver não saberia dizer. não, na realidade não queria propriamente o controle ou a perfeição .  o primeiro, é frustrante .  o segundo, enfadonho .  o que ela queria concretamente era atar nas mãos algumas certezas. comprová-las .  agarrar o tempo entre os dedos .  espreitar bem junto aos olhos. e, depois, deixar livre. deixar o tempo correr livre. solto e leve .  mas para já, ela queria agarrar o tempo nas mãos .  para comprovar e não desperdiçar o futuro.


Alice: Quanto tempo dura o eterno?
Coelho: As vezes apenas um segundo.
Lewis Carroll


terça-feira, 28 de maio de 2013

A alma é uma borboleta


a euforia,
quando enche o coração,
esvazia a nossa cabeça.

deixa um vento diferente
na estação
que estremece justo
nos últimos degraus

o vento que espasma
a vida
que é instante.






´ o instante em que me darás a mão, 
não mais por solidão, mas como eu agora: 
por amor.´
Clarice Lispector




Inerente




(..) por um segundo ela desejou  o aperto seguro do teu abraço.  mas sabia que não poderias encostar teu coração no seu sem senti-lo pulsar.  tem um coração intenso pede a ira, o grito, a dor. prefere que seja pungente, latente, berrante. quer a certeza do duradouro.  o que não passa. onde nada é aleatório ou acidental.  gosta da  suavidade da lembrança que não se apaga, não se esquece.   não a  proíba de entender a paisagem que desenhas por falta de força no teu traço.
                   ---morrer de amor é viver nele.















segunda-feira, 27 de maio de 2013

Uma nova perspectiva...



(...)  amanhece e ela  não quer  mais ficar apenas nas idealizações, vivendo no mundo do sonho, sem ver a materialização de algo em sua vida .    nem sempre vislumbra toda a verdade .  às vezes vê tudo, exceto a verdade .  embora o erro seja exclusivamente seu, Deus sempre lhe concede um caminho que a conduz para fora da escuridão .  agindo com serenidade saberá que é abençoada com a capacidade de entender , de fazer a distinção entre o que é valioso e o que é irrelevante.   e depois é estar disposta a abrir mão da tendência humana de ver as coisas através de uma visão embaçada .  é enxergar a luz em cada situação para no final (se)  acabar no lugar certo, na hora certa.
                    --das nuvens mais negras cai água límpida e fecunda...













domingo, 26 de maio de 2013

Catadora de poesia






‎"Todo caminho da gente é resvaloso.
Mas também, cair não prejudica demais,
a gente levanta,
a gente sobe,
a gente volta”

[João Guimarães Rosa]




"Todo aquele que dorme vira de novo criança,
porque durante o sonho não se pode fazer o mal nem prestar contas à vida..."

[Fernando Pessoa]




“O que precisa nascer tem sua raiz em chão de casa velha. À sua necessidade o piso cede, estalam rachaduras nas paredes, os caixões de janela se desprendem. O que precisa nascer aparece no sonho buscando frinchas no teto, réstias de luz e ar. Sei muito bem do que este sonho fala e a quem pode me dar peço coragem.”

[Adélia Prado]




‎"Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça."

[Cora Coralina]





‎"Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta,
não há ninguém que explique e ninguém que não entenda."

[Cecília Meireles]





☼☼ Domingo bom dia de virar
uma hora esquecida e fugir
nem que seja em pensamento, solto, livre

livre de pensar...




sábado, 25 de maio de 2013

Tempo após tempo




Estar só nem sempre é solidão.
As carícias em segredo sonhadas
nem sempre são ilusão.

Há por vezes uma luz colorida
Que  diz…



Posso  renascer...



Porque é lá na frente
que o destino está impaciente
aguardando  e sem entender a demora...




Em oposição à importância





(..) ela acreditava ter superado a idade de corar, mas certamente  não tinha ultrapassado a idade da emoção . nada existe neste  momento e neste instante em que nos (des)encontramos.    nada existe para além do que nos afasta do que é inevitável.  esta vida é feita de proximidades e distanciamentos. há barulho, ruído e distorção. 
-a vida só se dá a quem se deu.



sexta-feira, 24 de maio de 2013

E sonham azul





(..) olho você naquela névoa baixinha que enfeita os sonhos , que abrem alas ao assombro da madrugada.   carregas contigo toda a vontade do mundo, avança sem medo, vem  na minha direção como a parte final de um filme, em câmara lenta, e deságua um sorriso encantador  no ar quase parado. projeta (de um jeito tão peculiar) para trás o cabelo fora  de moda deixando visível teus olhos claros, enquanto eu vacilo,  entre a circunstância da espectadora e o envolvimento da personagem (embora pareça  tudo tão real) . eu de pé à tua espera, ansiosa, de braços abertos, não sei se triste se contente, porque não me vejo, apenas me percepciono.           ......contrariada acordo.  o dia, entretanto, fazendo-me  olhinhos namoradeiro, enquanto as persianas fechadas rangem com o vento súbito da manhã e se espreguiçam, alheias ao meu desapontamento me convida a  levantar. ....... às vezes, penso eu,  o amor é uma palavra que a gente pode repousar.  que Deus sempre nos envie anjos para guardar a porta.  [esboço um sorriso agradecida por ter sonhado com você no dia do seu aniversário].









Para  Celso
 [para que esteja enfim 
nos braços de um anjo....]

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Pra te lembrar o que importa






como um vento delicioso
passa invisível sobre
a superfície do mar,
tão forte, tão ligeiro, tão hábil
assim o  teu amor passou por mim.
primeiro me ajoelhei
diante da tua poesia
quis saber
dos teus planos.
depois sucumbi
aos teus dedos
pressenti o calor
do teu corpo
me rendi
ao teu cheiro
e ficou como se houvesse
um mar revolto dentro de mim









Vou com o coração de quem nunca foi











e porque afinal,
somos tão semelhantes,
sendo tão diferentes,
não busco respostas,
não procuro distâncias,
sigo o trilho da cor que adivinho ser
do mesmo medo em todos os olhos
com vestígios de esperança
a lançar dos céus.

















quarta-feira, 22 de maio de 2013

As lembranças que você nunca conseguiria ter







(..) já estávamos viajando há mais ou menos uma hora.  por quase todo o tempo via o mar ladeando a estrada, depois a terra  é plana , cheia de cercas de arame farpado.  estava uma manhã nublada  , sinto falta da minha cama, na minha casa . lar doce lar. não há lugar como a nossa casa. a canção diz "take me home, country roads ". lar é onde esta o coração . mas meu coração estava ali . então deveria estar em casa .
"-não foi tão ruim assim. --sua voz esta tensa, alta demais no carro pequeno, (ele  que sempre falou baixo). ela sorri e diz :  -então, no futuro, você vai me ver participando de cada lembrança sua, até eu ter o conjunto completo de todas elas . é que agora tudo só aconteceu pela metade, porque você ainda não esta presente. então "se" acontecer com você , ai é real.  ele diz: - estou a caminho.   eu não queria que você se perdesse ".

















terça-feira, 21 de maio de 2013

As folhas caem





-Mas você  não acha - insisto - que é melhor ser extremamente feliz por algum tempo, mesmo que se perca esta felicidade, do que passar a vida inteira apenas bem ??

Ela tira as mãos do rosto e fica me olhando. Então diz:

-Me perguntei muito sobre esta questão . Acredita nisso?

Penso em minha infância, na voz do meu pai que conseguia expressar a alma com aquela voz . Ele sabia me ouvir,  me entendia e sabia analisar exatamente o que havia em mim .
Ele despertava a sensibilidade nos outros...

-Sim - digo. - Acredito.  - Encontro seus olhos e sorrio.














O que desabre o ser é ver e ver-se.
|Manoel de Barros - O Guardador de Águas|




No somatório....









eu ouvi : sair de um relacionamento
 quando estando nele
se sentia duramente a solidão
é a coisa mais paradoxal que pode existir

[sair de algo que nunca foi também]

você poderia me mostrar, meu amor,
alguma coisa que eu não tenha visto?
alguma coisa infinitamente interessante??








diz a canção...aqui
´eu só não quero ser o que sou hoje
eu só quero ser o melhor
que meus amigos podem dizer
eu quero apenas
uma parte do seu jogo de paixão
você ouve quando eu te chamo
no meio inoportuno??
você ouve essas palavras
enquanto eu canto esta canção??´



segunda-feira, 20 de maio de 2013

O mesmo sempre diferente




caminhar pacificamente e em silêncio . a cada passo sentindo o som do mar e da  respiração.  unindo corpo e  mente no momento presente .  caminhar sem o intuito de chegar a algum lado.  caminhar com a plena consciência do próprio caminhar . de cada passo, de cada som da natureza . e desta forma fazê-lo em paz.

é bom. muito bom.



domingo, 19 de maio de 2013

O amor depois do amor






Há de chegar a hora
em que, com alegria,
você vai se  cumprimentar ao chegar
à porta de casa, em  teu próprio espelho,
e cada um sorrirá diante da acolhida do outro,

e dirá, sente-se aqui. Coma.
Você amará de novo o estranho que era si mesmo..
Dê  vinho. Dê  pão. Devolva seu coração
a ele mesmo, ao estranho que amou você

desde que você nasceu, que você ignorou
por outro, que o conhece de cor.
Tire as cartas de amor da estante,

as fotografias, os bilhetes desesperados,
tire sua   própria imagem no espelho.
Sente-se. Celebre sua  vida.

_Derek Walcott










[enquanto houver a
 capacidade do riso em nós 
a vida fará sentido ]


sábado, 18 de maio de 2013

Formas nunca significam muita coisa





(..)as coisas arranham de leve as portas quando  p  a  r  t  e  m  ( -  s  e)   mas sempre voltam.  a si? as coisas - quantas coisas! – camuflam instâncias e segredos e algumas *intrusões sob a aparência de coisas quaisquer.  existem coisas que eu tenho certeza que vou sentir saudade sempre. como o cheiro da minha vó,  a cor da parede da minha casa velha, o cheiro do Natal.  existem pessoas que eu tenho certeza que vou sentir saudade, e não pelo que me causaram, mas pelo o que me fizeram sentir com apenas algumas palavras.  existem situações que eu tenho certeza que vou sentir saudade, como a espera pelo Papai Noel, a manhã da Páscoa, junto com os pequenos.  o "te amo" dito sem cobrança.  existem mil coisas que eu tenho certeza que vou sentir saudade, existem mil motivos para eu sentir falta disso. e se eu tiver saudade significa que foi bom, e isso já vai me valer pela vida toda.







*Em geologia, uma intrusão é
um corpo de rocha ígnea que cristalizou
 de um magma derretido
sob a superfície da Terra.


sexta-feira, 17 de maio de 2013

Dos resquícios







(..) os dias eram compartilhados, as tardes de verão vibravam em longos silêncios de sol tórrido e o pôr-do-sol era uma explosão de sonoras cigarras a gritarem exaustivamente ao meio da ligação. o verão era uma dança constante entre chuva e sol. e, antes de chover, sentiam e descreviam aquele aroma intenso da terra - uma mornidão que a terra exala a nos juntar-...  dos meus dias nos vestígios da praça fotografada, de quando o céu tinha aquele azul verdadeiro e único, havia toda uma antecipação alegre e festiva antes da chuva acontecer.          chuva e sol .           por vezes, temos de aceitar que duas coisas opostas têm de existir para a vida fazer sentido.
















`Milagres não ocorrem em contradição
com a natureza; mas somente 
em contradição com o que 
conhecemos da natureza´
Santo Agostinho









quinta-feira, 16 de maio de 2013

A chuva antes de cair







“Não que a tua existência possa corrigir ou desfazer todos esses erros. Não, a tua existência não justifica coisa nenhuma. O que ela significa – já disse isto, não disse? Creio que sim, ou uma coisa parecida -, ou melhor, o que ela me leva a compreender, é isto: que a vida só começa a fazer sentido quando nos damos conta de que por vezes – tantas vezes – o tempo todo – duas ideias completamente contraditórias podem ser verdade.

Tudo o que conduziu a ti estava errado. Portanto, tu não deverias ter nascido. Mas tudo em ti está certo: portanto, tu tinhas de nascer.

Tu eras inevitável.”  (trechos pág. 199)



[não é um livro de entretenimento. é um livro a ser degustado, lentamente. é um livro que toma a alma. remexe as entranhas. definitivamente,  ´inevitável´ ]



"Claro que a chuva antes de cair não existe", disse ela. "E é por isso que é o meu tipo preferido de chuva. Uma coisa pode não ser real e, mesmo assim, pode fazer uma pessoa feliz, não pode?" ( pág. 132)


A Chuva antes de Cair  de  Jonathan Coe



quarta-feira, 15 de maio de 2013

Pelo outro lado....






(...)mas ela sabe que há o outro lado de si mesma. o lado da ferocidade. sentiu isso ao sair da livraria com  ele. sente pressa em voltar pra casa . devorar cada palavra com a ansiedade de uma paixão incontrolável. cada página é movida por dedos de vento que uivam e assobiam ao ritmo da chuva que derrama-se pela janela. a vela ilumina e aquece a noite. e ela enrola-se ao livro e despe-se da realidade.



´se me queres falar, se me queres dizer algo, se me queres conquistar, tens de fazê-lo através de tuas palavras de tinta e de papel ´, ela pensa entre folhas e olhares



as horas deste longo Outono, carregadas de folhas, ventos e rostos curvados ao chão cuidam de acolher a paixão. e ela não se queixa.







( hoje estou  aqui neste blog lindo)

terça-feira, 14 de maio de 2013

O melhor amigo do menino


Não

tristeza
que
 resista
 a isto....

















Reviravoltas ...




(...) quantas e quantas vezes a  luz do quarto continuava acesa sobre a luz da manhã, tornamo-nos artificiais. parecendo desnecessárias, todas estas palavras que organizávamos, sistematicamente, para nós.  então, em caso de amor, não corrija meus possíveis erros com exaltada fala ou com interpretações duras. antes, reconheça que aquilo que se vive por amor será, no fim de tudo, a única força capaz de reverter o imponderável encontro com o vazio, iluminando os dias passados com pequenos insights de felicidade...
















[os nossos corpos, claro, eram
sempre os nossos corpos, 
sempre  os nossos corpos
 acesos]

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Em pedaços





de mim, já percebeu as dores,
seca então, as lágrimas e lamentos.
de mim, já conhece os vãos e os desvios,
já compreendeu os receios.
talvez precisa agora, olhar dentro dos meus espelhos,
e neles ver os lampiões e acordes de amor
escondidos dos outros olhos aos quais não se destinavam.
à espera da sua luz, guardei-os cuidadosamente.
guardei-os dos ventos violentos que agitaram
as cortinas e fizeram tremer as portas trancadas.
à sua espera, escolhi um ventinho calmo e leve para
que continuassem limpos e claros, meus cantos e luzes.
longa, longa espera

(onde brilhem os olhos seus)















domingo, 12 de maio de 2013

Que saudade Mãe!




(céu meu -a resposta de Deus ,
 à tarde, pela varanda do meu apê)


Abrace minha mãe 
Deus querido, 
pois eu já não posso
 mais dar este abraço.

Abrace!





sábado, 11 de maio de 2013

Com Vênus nos olhos

rodando entre as estrelas mas mesmo 
com teu olhar de águas límpidas, 
fiquei com medo de
mergulhar em mim,
ao olhar o espelho d’água.
iria me afogar?
ou sairia do mito viva?
peguei uma flor
e enfraqueci um soco
que iria vir.
dei-lhe um abraço
demorado.
mostrei minhas chagas
e enquanto trocávamos
afagos, fui sentindo
que flutuávamos.
éramos anjos.
éramos animais sem asa 
e quando você me lembrou disso, 
voltei a cair







... quase tudo, por metades, da gente se afastava.

|Guimarães Rosa - Uma Estória de Amor (Festa de Manuelzão)|




sexta-feira, 10 de maio de 2013

E de repente perto


                                  um majestoso sol
                                  correndo
pelas frestas

                                 à hora exata
                                 um pirilampo de si

                                 luz , enfim

                                pedaço de céu vaga
                                aos olhos encharcados



Dois rios by Skank on Grooveshark

quinta-feira, 9 de maio de 2013

E o bater do meu coração sustenta o ritmo das coisas




Era um senhor de pele bem clarinha que com um sorriso bonito abriu a palestra. Senti seu olhar cruzar  o meu e com uma voz vibrante disse:

 ´Somos pó de estrelas! Mesmo sendo bastante poético, é um fato. Tudo que existe no planeta e ao nosso redor é pó de estrelas.

Quando olhamos para uma praia ou quando olhamos para outra pessoa a maior parte dos átomos que os constituem foi formado em estrelas. Somos de fato pó de estrelas.

 Nós somos pó e ao pó voltaremos. Nós somos pó das estrelas, literalmente.  Feche os olhos e sinta isso.

Quando uma estrela perde o hidrogênio ela explode e seus pedacinhos de poeira, depois de bilhões de anos perambulando pelos céus, começam a se juntar com pedacinhos de poeira de outras estrelas que também explodiram quando morreram. Eventualmente, outros planetas se formam dessas estrelas que explodiram.

No caso da nossa Terra, a sua matéria foi se transformando até surgir a célula viva, que foi se transformando até surgirem todas as manifestações de seres vivos que existem hoje, plantas e animais.

Somos uma dessas manifestações. Sim você é pó de estrela.  A terra, a água, as rochas, os cristais, as pedras preciosas, tudo e todos, somos pó das estrelas.

Nossas células quando morrermos vão se transformar, mas sempre serão parte do planeta.

Mais tarde quando nós explodirmos com a Terra e sua poeira se espalhar, nossos átomos vão se espalhar e se juntar eventualmente com a poeira de outras estrelas para formarmos ainda outras estrelas.

Portanto, abra os olhos, desaperte teu coração e deixe enfim tua estrela livre pra brilhar´



"Criem um equilíbrio interior, através da grande capacidade de viver o momento presente.

Se dediquem, hoje, a fazer o melhor de hoje.

Planejem, mas, vivam as possibilidades.
Não tenham tantos medos dos erros, nem das incertezas.
Simplesmente porque as coisas se resolvem."


Mestre El Morya




quarta-feira, 8 de maio de 2013

O mesmo verbo




“Falava sobretudo de amor e solidão, esta dor tão bem disfarçada diante de nós, que nos cruzávamos todos os dias com ela e não desconfiávamos de nada.
O caderno não incluía as cartas do namorado. De resto, recebeu poucas: nove em oito meses. Lysia contava-as, obviamente. Guardava-as, relia-as constantemente. Onde as guardava? Talvez junto ao coração, junto ao corpo, junto à pele, como escreveu.
Poucas cartas, porquê? Falta de tempo? De espaço para as escrever? Ou de vontade?
Sabemos sempre o que os outros representam para nós, mas nunca sabemos o que somos para ele.
Philippe Claudel, in “Almas Cinzentas”



[e saber que estiveram perto. tão perto… mas tão perto!]




terça-feira, 7 de maio de 2013

E eu que só estava de passagem



hoje prefiro esquecer
as forças gravitacionais
que me atam firmemente ao chão


talvez seja preciso beijar o acaso
sentir as flutuações do humor
olhar com carinho para os caminhos estranhos
que começamos a percorrer sem razão lógica ou aparente



o tempo faz tudo valer a pena
e nem o erro é desperdício



penso quando eu parti
assim... sem olhar pra trás
como um navio que vai ao longe
e já nem se lembra do cais



aí começo a pensar que nada tem fim...
que nada tem fim...





segunda-feira, 6 de maio de 2013

E ela ainda fica a inventar...




(...) meu céu são terras incógnitas . hoje  enquanto caminhava pela areia fria da praia, pensava que o  primeiro valor que se da a um ser é o nome. o nome é a alma inventada das coisas. a forma invocativa que duplica o real e integra o ausente em som e imagem.  muito perto de mim alguém pronunciou um nome que já me foi muito caro. quase entristeci (de novo) mas pensei que  antes do nome, que distingui e marca, as coisas eram chamadas indiferentemente de Tudo ou Nada (tanto faz).  fora da palavra, a beleza primitiva e assombrosa da natureza selvagem das coisas inomináveis seguem, sem razão nem divindade, apenas o Isso. bons sinais: as cicatrizes ficaram com a cara do corte.


as coisas....aqui

domingo, 5 de maio de 2013

sexta-feira, 3 de maio de 2013

É preciso que adentremos o mistério cósmico ...



gosto de gente de alma simples que, indiferente ao raciocínio lógico, é acessível a toda espécie de impulsos vagos, sonhos, premonições, crendices, porque está distante da nossa civilização urbana e niveladora. são almas receptivas ao extraordinário, ao milagre , ao esquecimento, a lembrança, o ver com novos olhos e como diria Rosa  "o cheirar outra vez o resseco ar forte daqueles campos, que a alma da gente não esquece nunca direito e o coração de geralista está sempre pedindo baixinho" . com estes eu quero estar.






"O melhor, sem dúvida, é escutar Platão: é preciso -diz ele - que haja no universo um sólido que seja resistente; é por isso que a terra está situada no centro, como uma ponte sobre o abismo; ela oferece um solo firme a quem sobre ela caminha, e os animais que estão em sua superfície dela tiram necessariamente uma solidez semelhante à sua".Guimarães Rosa -Plotino, Enéadas, II






[ intercâmbio de energia com os outros, à partilha....aqui ]





quinta-feira, 2 de maio de 2013

Pedacinhos desconexos








um desejo ao cair da tarde
 redescobrir magias
[sem susto algum]
da janela um filete de céu
onde se escreve o mundo todo
[o arco-iris uma forma de alegria]
saio devagar,
as palavras descalças percorrendo o espaço,
o silêncio desenhando um quotidiano de paredes nuas
existe um caminho solitário
 [por dentro de mim]
num recanto de uma sala qualquer
onde se escreve o lado quente das tuas mãos


´que me continua....aqui´



quarta-feira, 1 de maio de 2013

Hoje só queria colher palavras bonitas....




controlamos a alegria
cercamos nossos espaços
 são silêncios feitos de pedra

não gosto de muros
as palavras nos  retornam
fazendo eco
atingindo o coração
das respostas que não temos

e voltamos à velha questão
da difícil convivência da razão,
do afeto, da emoção...




(mais leve que o ar....aqui )