
de mim, já percebeu as dores,
seca então, as lágrimas e lamentos.
de mim, já conhece os vãos e os desvios,
já compreendeu os receios.
talvez precisa agora, olhar dentro dos meus espelhos,
e neles ver os lampiões e acordes de amor
escondidos dos outros olhos aos quais não se destinavam.
à espera da sua luz, guardei-os cuidadosamente.
guardei-os dos ventos violentos que agitaram
as cortinas e fizeram tremer as portas trancadas.
à sua espera, escolhi um ventinho calmo e leve para
que continuassem limpos e claros, meus cantos e luzes.
longa, longa espera
(onde brilhem os olhos seus)
