
os olhos refletiam solidão e para não falar somente de coisas tristes, ela folheava os antigos álbuns de fotografias. gostava de virar as páginas dos seus pensamentos conforme observava as imagens do passado. erguia os olhos, de vez em quando, e via através da janela que ainda restavam pequenas partículas de água. não havia nada além das gotas. deslizavam desinibidas pelo seu pescoço e ombro, desciam pelo braço, desaguavam em seus dedos. sabia que não há quase nada que se possa fazer para mudar o estado das coisas. o passado era isto: uma mancha difusa irrigada pela saudade. amor é intimidade que não se obtém por resumo, não é dado à frase curta , quer vagar para divagar....
