quando a esperança lhe invade os olhos, contagia. a nostalgia sempre lhe chega num pé de vento. ela suspira. pensa que deveria de ter uma tulipa tatuada nas costas [não faz mais falta isso], tem uma flor geminando na alma. quando expira, pólen. sabe adornar um vazio: esse poço antigo enlaçado de flores. alaranjadas. onde se mata o tédio. na mão aperta, com fé, uma estrela cadente [aprendizado que veio da avó]. risca no ar um desejo enquanto se desfaz. poeira lunar nos pés. raio de sol para fisgar novo dia. e um sopro suave para mudar o ar da noite. tira o laço vermelho que lhe apertava o peito, amarra nas bordas do dia. saia pespontada de horizontes. o pensamento branco, branco. uma paz inquieta escoando o orvalho desse novo dia. no céu, nuvens de filó. e a terra gira azul, azul, feito carrocel . sorri. o medo dança....
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´0 grito incontido
rasgando a mais
translúcida das folhas,
e tantos passos, tantos passos
abafando a lira do exílio´.
Maria Amélia Neto
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´0 grito incontido
rasgando a mais
translúcida das folhas,
e tantos passos, tantos passos
abafando a lira do exílio´.
Maria Amélia Neto

