quarta-feira, 7 de agosto de 2013

E continuou fazendo jardins...




    quando a esperança lhe invade os olhos, contagia. a nostalgia sempre lhe chega num pé de vento. ela suspira. pensa que deveria  de ter uma tulipa tatuada nas costas [não faz mais falta isso], tem uma flor geminando na alma. quando expira, pólen. sabe adornar um vazio: esse poço antigo enlaçado de flores. alaranjadas. onde se mata o tédio. na mão aperta, com fé, uma estrela cadente [aprendizado que veio da avó]. risca no ar um desejo enquanto se desfaz. poeira lunar nos pés. raio de sol para fisgar novo dia. e um sopro suave para mudar o ar da noite. tira o laço vermelho que lhe apertava o peito, amarra nas bordas do dia. saia pespontada de horizontes. o pensamento branco, branco. uma paz inquieta escoando o orvalho desse novo dia. no céu, nuvens de filó. e a terra gira azul, azul, feito carrocel . sorri. o medo dança....
.
.
.
.
´0 grito incontido
rasgando a mais
 translúcida das folhas,
e tantos passos, tantos passos
abafando a lira do exílio´.
Maria Amélia Neto

terça-feira, 6 de agosto de 2013

É preciso andar muito para alcançar o que está perto



 os primeiros sons,
 as primeiras imagens.
0 mundo nos é  revelado.
rapidamente aprendemos as formas
[somos formatados].
compreendemos as palavras
 [somos aprisionados].
conhecemos a regra
[nos arrancam os olhos].
hoje, nada mais conseguimos
ver e tudo nos parece banal.
mas o Tempo não para .
somos ensinados
a ir sempre em frente.


0 que sabemos afinal?
.
.
.




.
"Que todas as coisas que
 consideramos habituais
 nos inquietem"