se soubesse da estranheza do mundo como tanto me falava e só agora depois das muitas quedas fui descobrir, não teria saído daquele sonho. lá há um jogo de espelhos que me permite a visão de outros mundos, passagens para a Índia de onde nos contemplam os amores tântricos. isto mesmo, por enquanto não me toque. não se assanhe. apenas me deseje como se o olhar percorresse cada poro, e as carícias fossem um véu suave que cai escorregando nos sentidos. há poucos elementos neste sonho (fogo e ar) mas todos respiram harmoniosamente. um antúrio é a flor escolhida para ficar à contraluz, com silhueta elegante e sem espinhos. apenas uma pétala vermelha a enrolar-se sobre si mesma, como serpente acetinada, cravada por uma espécie de haste amarela. deixo a flor ali como testemunha, capaz de durar até 60 dias, ou nove semanas e meia, tempo suficiente para se viver um amor de película , não acha? já tive amores rosa chá . mas esta paixão é inteira como as maçãs, colhidas num fim de tarde ou na manhã azulada, quando abrimos a janela para respirar, enquanto deixamos suspiros entre o futon e o tatame. gemidos tomam o lugar de uma canção exótica, assobiada por um marinheiro que passa rente à casa, nos advertindo do movimento do mundo. mas quem quer saber do mundo no espaço tântrico de um quarto zen? algodão e rabiscos. caprichos e mosaicos.
entre nós
o êxtase,
não se esqueça,
só o êxtase ....