sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Alquimia do mesmo caminh0






posso atravessar o deserto, se dentro de mim ainda houver uma flor pequena delicada sem espinho.  a flor que deixou comigo. essa flor que dura, mesmo sob o sol, mesmo contra o sol e por vezes furiosa.   tudo começou como uma semente, criou raízes e emergiu, jamais será uma invasão, mas uma possibilidade de ajuste, um fogo de ramos perfumados, crescendo para dentro da casa, do quarto, do peito, através das janelas quebradas, contra o vidro.   posso, se quiser, demarcar certos espaços para que nossas almas se  entrelacem nessa flor que fende as rochas,  no corpo enraíza e com perfume para  lavar da áspera solidão e estar confortável na minha pele. posso atravessar o deserto, se dentro de nós ainda houver a pureza  de uma flor intacta .
  

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Escorregando no sopro das marés










o mar imenso
concha e areia
pelo céu da boca
a palavra escorrendo

no canto da retina
a poesia marulhando
levando -a esvoaçar
sem destino
por dentro do vento