
posso atravessar o deserto, se dentro de mim ainda houver uma flor pequena delicada sem espinho. a flor que deixou comigo. essa flor que dura, mesmo sob o sol, mesmo contra o sol e por vezes furiosa. tudo começou como uma semente, criou raízes e emergiu, jamais será uma invasão, mas uma possibilidade de ajuste, um fogo de ramos perfumados, crescendo para dentro da casa, do quarto, do peito, através das janelas quebradas, contra o vidro. posso, se quiser, demarcar certos espaços para que nossas almas se entrelacem nessa flor que fende as rochas, no corpo enraíza e com perfume para lavar da áspera solidão e estar confortável na minha pele. posso atravessar o deserto, se dentro de nós ainda houver a pureza de uma flor intacta .
