sábado, 15 de junho de 2013

Folhas em remoinho







um dia, ao ar livre ou uma reunião em casa vai lhe dar a paz de espírito, assim estava escrito no meu horóscopo. mas de verdade?  hoje estou indócil. vou-me embora pra Pasárgada, como no poema de Manuel Bandeira, inesquecível peça de busca de um lugar chamado felicidade. nada de muito grave me leva a querer ir pra Pasárgada, apenas o desejo de um lugar idílico, com menos horários, menos compromissos, menos receio de dar saltos no escuro, como uma bailarina que se arrisca pela beleza. na verdade, todo mundo quer correr cada vez menos riscos, ainda que isto implique na busca de soluções menos criativas trilhas menos amorosas, a impossibilidade de encontrar verdades que não se encontram prontas.a liberdade não é um produto, é um estado de espírito que propõe desafios, sem apólices de seguros. até por isso me bateu uma vontade enorme de ir embora pra Pasárgada.   aquela "realidade" idílica tem muito mais poesia do que a vida fake que pintaram por aí. Pasárgada é um território mítico que não se fotografa. Pasárgada é muito mais fugaz e, por isso mesmo, eterna. vamos?




sexta-feira, 14 de junho de 2013

Ventania que levite dores

(Foto: Jamie Beck)
nevou num tempo em que o calor havia cessado. um sussurro ecoou nos quatro cantos e naquele instante veio um lapso de luz - poesia para dias de espanto  e paraísos que inspirem quimeras - no vazio daquele instante verdadeiro . vê. e quando não, imagina, o olhar sempre delata no alcance o tamanho de quem o possui .  e na palidez de uma manhã desnuda as horas deste longo outono,  carregadas de folhas, ventos e rostos curvados ao chão cuidam de acolher a paixão.  ela não se queixa. sempre haverá amor a engravidar alvoradas...