
na mistura de cores o silêncio era absoluto, parecia que súbitos pensamentos passavam pelo mesmo lugar a todo tempo e encostavam nas paredes do meu próprio vento. vozes inaudíveis tentavam emergir sufocadas pela não existência de som, feneciam mesmo antes de tomar forma, desespero de quem tenta libertar-se das lamas sugadoras do pântano. na superfície plana ergue-se suavemente um som audível e, nesse momento, foi o silêncio que me despertou, quebrou-se, deixando no ar um som cativante que foi preenchendo espaços mais ou menos vazios . é exaltante ver a outra margem cada vez mais próxima, em harmonia, para que a travessia se faça em segurança e com ligeireza. sobra-me a liquidez do dia a dia e a petrificação de conceitos.
