quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Amar é ainda ar

se soubesse da estranheza do mundo como tanto me falava e só agora depois das muitas quedas fui descobrir, não teria saído daquele sonho. lá há um jogo de espelhos que me permite a visão de outros mundos, passagens para a Índia de onde nos contemplam os amores tântricos. isto mesmo, por enquanto não me toque. não se assanhe. apenas me deseje como se o olhar percorresse cada poro, e as carícias fossem um véu suave que cai escorregando nos sentidos. há poucos elementos neste sonho (fogo e ar) mas todos respiram harmoniosamente.  um antúrio é a flor escolhida para ficar à contraluz, com silhueta elegante e sem espinhos. apenas uma pétala vermelha a enrolar-se sobre si mesma, como serpente acetinada, cravada por uma espécie de haste amarela. deixo a flor ali como testemunha, capaz de durar até 60 dias, ou nove semanas e meia, tempo suficiente para se viver um amor de película , não acha? já tive amores rosa chá . mas esta paixão é inteira como as maçãs, colhidas num fim de tarde ou na manhã azulada, quando abrimos a janela para respirar, enquanto deixamos suspiros entre o futon e o tatame. gemidos tomam o lugar de uma canção exótica, assobiada por um marinheiro que passa rente à casa, nos advertindo do movimento do mundo. mas quem quer saber do mundo no espaço tântrico de um quarto zen?  algodão e rabiscos. caprichos e mosaicos.
entre nós
o êxtase,
 não se esqueça,
 só o êxtase ....







Jade by João Bosco on Grooveshark

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Valha o paradoxo






nada pode ser acelerado, tudo tem seu ritmo inerente.  naquela noite enluarada tudo o que eu fui se avistou. mas sem romper a cortina. não há cortina. é tudo emendado e eterno. vou como se puxasse a mim própria, e me deixo puxar para fora da clareira anterior. não me sinto desdobrada. estar dentro de algo já não implica estar fora do resto. no entanto, entrego-me a esta coisa de agora, tão morna e submarina, deliciosa síntese do meu cansaço e do meu descanso. lentamente me dissolvo na semente que me gerou. sei agora o que sempre soube, mas não ousava.      movimentar-me com abertura mental e sensibilidade  é o melhor no momento pois com tudo que anda acontecendo os questionamentos não ajudariam muito agora....