
Alguém me disse outro dia que quem se apaixona o olho reluz, a pele melhora, o corpo reage, o coração bate feliz. Que gostar é mandar, achar que manda, obedecer, fingir que obedece [eu também ri]. E se ao menos fosse o fundo dos teus olhos, o lado de dentro das tuas mãos, a respiração suspensa dos teus lábios? Mas não. É um abstrato fogo quieto, lento e macio. Um lastro de navio a romper o mar. É quase o teu peito aberto nos meus dedos. Um desejo à espera de um nome. Uma vela desfraldada no meu ventre. Uma ciranda de longe, à tua espera. Bolas de gude coloridas soltas na chuva. Uma tempestade de quereres...
