segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Estas reviravoltas não são raras....







Nas frestas da cidade pairam estórias em aberto, o mel grosso de mil vidas embebendo os poros da esponja imensa. Na varanda, não sei bem a propósito de quê, pus-me a rir de mim mesma. Devia estar no ultimo instante de lucidez, preparando-me para o Dostoiévski - Noites Brancas [já não sei]. Sei que olhei para o céu, pensei que estava fabuloso, com aquelas nuvens em fundo azul que só acontecem à noite, e depois pensei: pensei o quê? Não me lembro. Vivo uma vida isenta de pensamentos dignos de memória.  Acontece que agora não corro para nada, não insisto, não me faço acontecer. Fico o quanto me apetece e depois vou, sem saber se volto, pensando nisso depois, mais tarde, noutro lado qualquer...
O mundo é uma brecha, um esplendor, um redemoinho.




domingo, 15 de dezembro de 2013

Ao desejo que inunda sem aviso prévio


Morfologia da saudade…










 hieroglífica meu corpo . sinto-me  mulher de corpo inteiro. a mão calejada percorre trilhos sinuosos e incandescentes [vulcão a despertar nas letras com que se desenham os contornos da paixão]. um rugido me causa. semi-cerrados os olhos, ofegante ansiedade, entre-abertas as pernas para que o olhar seja apenas o passaporte para um voo .revejo-o em meus sonhos. espelho de ilusões que o tempo não esmagou. alimentou a alma com o compasso do teu respirar...