terça-feira, 22 de abril de 2014

Precisamos mais de nós do que de tudo





Um dia a gente aprende que nada foi nem nunca será solucionado na teoria, alguém sempre tem de arregaçar as mangas e se dedicar a colocar as coisas em ordem, independentemente de o quanto isso custar. Penso que o vazio é um lodo espesso e intransponível que corre por dentro de encanamentos, artérias, postes, fios, veias, troncos de árvores. E vai se espalhando depressa, se estagnando por entre réplicas e tréplicas ou silêncios irreversíveis. A solidão é um troço que faz a gente abrir a geladeira sem estar com fome ou sair por aí com umas pessoas bem barulhentas pra tentar estar junto. Pra asfixiar o vácuo de dentro que não está bem lá dentro, e sim nas superfícies, nos contornos dos corpos, das coisas, nos dias nublados muito claros que contraem os olhos. Podia ser tudo simples como nas ruas de cimento onde se aposta corrida de bicicleta. Joelhos ralados, mercúrio cromo, band-aid e pronto, no dia seguinte, corrida de bicicleta. Agora é assim: nada combina com nada. Mas não se preocupa, vou voltar lá pra te buscar. Lá onde  me perdi....




'infindo e onipresente, 
o nada envolvia
 cada recanto de sua consciência'
- Joseph Glittergate 

14 comentários:

Chapéu de sol disse...

O vazio, talvez, esteja tão dentro, tão guardado, tão invisivelmente escondido que somente quem o carrega saiba de sua existência.
Um beijo solar.

✿ chica disse...

Quanta verdade aqui nessas palavras lindas! beijos,chica

Júllio Machado disse...

São em momentos assim que a gente aprende ou se desprende para um vácuo sem volta...




Ricardo- águialivre disse...

Verdades irrefutáveis, profundas, que nos embalam no pensamento do teórico, quiçá ocas de sentido, mas verdadeiras no sentir

Deixo cumprimentos

Natália disse...

Tanta verdade nesta mensagem.
Um dia a gente aprende que se não arregaçarmos as mangas e ir à luta para colocarmos as coisas em ordem ninguém o faz por nós.
Custa mas conseguimos .Eu que o diga.
Beijos.

Benno disse...

é vivendo, e não falando sobre a vida, mil livros tratando do amor não valem um doce beijo.
estava com saudade também ;) Beijo

Rovênia disse...

De certa forma, estamos em sintonia. Mas que bom que há quem arregasse as mangas. A passividade me dá, sim, a sensação de vazio! Tudo lindo por aqui. Saudades também, Margoh. Beijos e queijos! :)

Luci Lopes disse...

Dizem que o vazio atrai o cheio, o problema é cheio de quê?

R. R. Barcellos disse...

Para que simplificar
Se é mais simples complicar?

Corrida de bicicleta! Vou ganhar do vencedor!

Beijo.

iren alves disse...

Como sempre estupendo texto.
Gostei muito.
Desejo que esteja bem.
Bj.
Irene Alves

Daniel C.da Silva (Lobinho) disse...

Muito bonito...

:)

Yasmine Lemos disse...

Oi Margoh,mandei um email pra vc
bjs

Nilson Barcelli disse...

Temos que ser o nosso melhor amigo.
O texto é magnífico, gostei imenso.
Margoh, minha querida amiga, tem um bom fim de semana.
Beijo.
PS: já não te visitava há imenso tempo, mas vejo que continuas a escrever coisas maravilhosas.

Larissa Bello disse...

Considero o nada, o vazio e o silêncio como coisas e vibrações que podem ser extremamente positivas. Afinal, são elementos que acalmam a mente, a consciência e as interferências dos nossos pensamentos. E precisamos muito mais disso do que de qualquer outra coisa.

Bjos!