quinta-feira, 18 de julho de 2013

Lá longe de mim







de repente, sinto-me irremediavelmente criança e sem as amarras do quotidiano. hoje quero comer morangos, tingir a língua, piscar o olho para um ser imaginário, molhar  a boca com o vinho apropriado aos dias frios, lembrar que  vi abelhas enlouquecidas, divagar sem me prender ao pensamento, repassar álbuns de retratos, me ver feliz, ouvir pela décima vez a mesma música, andar descalça, fazer apenas uma oração, conjurar os anjos, brincar com as salamandras diminutas das chamas das velas, colocar as mãos sobre o fogo, viver a fração do tempo como um beija-flor na proeza do voo. nesta noite, quero me dedicar ao extremo ato das coisas simples, uma outra espécie de transbordamento, a devoção a cada hora vivida, o ritual dos tolos, o ritual dos sábios. hoje parei o futuro.


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Bem-te-vi






a delicadeza  é um átimo, como a poesia. um flagrante, um momento, um click como a fotografia, que se revela num instante desdobrável. mas o instante passa e cabe a quem o vive a glória de ter chegado à felicidade. entre a realidade e o sonho.   depois é só a realidade. com suas cores uniformes, firmes, corretas. sem o delírio livre da beleza em estado puro, que provamos em pequenos cálices, em momentos únicos da vida [sim, deparei-me com o encantamento] alguns matizes, algumas nuances são bonitas como o poente, mas, como sempre, não duram mais que a fração do tempo...