quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Basta ler, com paciência, a lousa da superfície...




A alma só acolhe o que lhe pertence; de certo modo, ela já sabe de antemão tudo aquilo por que vai passar. Os amantes não contam nada de novo uns aos outros, e para eles também não existe reconhecimento. De fato, o amante não reconhece no ser que ama nada a não ser que é transportado por ele, de modo indescritível, para um estado de dinamismo interior. 

E então é impossível reconhecer uma pessoa ou uma coisa sem relação conosco próprios, pois o ato de tomar conhecimento toma das coisas qualquer coisa; mantêm a forma, mas parecem desfazer-se em cinzas por dentro, algo delas se evapora. É por isso também que não existe verdade para os amantes; seria um beco sem saída, um fim, a morte do pensamento que, enquanto estiver vivo, se assemelha à fímbria arfante de uma chama, onde se abraçam a luz e a escuridão. 

Os amantes não se pertencem, mas têm de se dar em oferenda a tudo o que vem ao seu encontro e se oferece aos seus olhares entrelaçados.

A natureza e o singular espírito dos amantes olham-se nos olhos, e são as duas direções de um mesmo agir, um rio que corre em dois sentidos, um fogo que arde em dois extremos.

Robert Musil, in 'O Homem sem Qualidades'



´bendito o Senhor
que faz  nova
todas as horas´

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Dá -me qualquer coisa que me pareça eterno






 você não imagina o que sinto quando o mar que carrego entra em ressaca. tento canalizá-lo e expressá-lo em palavras mas sinto dentro do corpo um mar de sentimentos. estou cansada de minha aflição. está me atrapalhando. parece que não consigo me livrar dela. peço que entenda mais do que possa perdoar. só você pode  alterar a minha química--coloca fogo em meu coração e traz paz a nossas vidas. só você sabe a mágica de possibilitar que duas pessoas visitem o céu no mesmo instante--.  adoro esse teu olhar blasé que não só já viu quase tudo mas acha tudo tão déjà vu mesmo antes de ver. você tem o dom  de fazer 
os meus olhos sorrirem... 



´alegre era a gente viver devagarinho
miudinho
não se importando demais
com coisa nenhuma´
=
Guimarães Rosa

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