domingo, 17 de agosto de 2014

tornou-se início outra vez....




(..) eram cinco da tarde.  os livros empilhados resumiam uma existência catalogada por palavras que tentava recriar para si. agora a tarde era só tarde, e a noite não parecia apressar-se em chegar. mas sabia que por mais que se adentre, por mais perto que você chegue tudo se desdobra, tudo ramifica. imaginou um corte profundo no céu, e a profundidade lhe escapou. sorriu ao ver que  o que se abre são novas superfícies, frescas e vivas. não há dentro, não há centro, não há fundo. quanto mais se olha, mais os detalhes dão cria, mais a complexidade viceja. a musica que tocava movimentava seus pensamentos. se rasgasse a partitura em mil pedaço  a sinfonia seria a mesma em cada nota então começa a dançar. a sala logo se preencheu de sombras. as cores perderam seu lugar. aproveitou o milagre, respirou com gosto, e caiu de volta no fluxo com a alma lavada....




sábado, 16 de agosto de 2014

breves instantes em que fechamos os olhos...





(..) na busca do desejo cada dia alguma coisa é acrescentada. deixei de te ouvir cantar,  mas ainda guardo as notas da nossa canção em tons de sol e mi em mim. quentes. os sons escorregam pelo meu cabelo e apanho-os à frente de cada passo que dou. coleciono-os no regaço, na renda do vestido e vejo mensageiros do vento pertinho de ti em cada por do sol.  e silenciosamente no interior do desejo acontece a festa do nosso encontro. ouves a minha alegria? bate as asas, voa-me no sangue e faz ninho no meu riso matinal, onde ainda tudo pode acontecer.  será assim. chegaremos juntos ao lugar de onde se escapam os sentidos. eternamente saciados. eternamente apaziguados. eu paro o tempo para sermos.