
quando o acostamento se desfaz em grãos de areia, resta o sonho na calma da outra margem e assim vem uma palavra por dia e ela esperava por aquela palavra. era uma forma de esperança. executava, com paciência todos os seus afazeres. não tentava adiantar as horas, nem queimar etapas. ela sabia que tinha de ser assim. a espera era a ponte que tinha de atravessar todos os dias para chegar aquele momento. uma palavra por dia. a dela era o nome dele a estalar entre a língua e o céu da boca. o nome dele. como uma prece. um sussurro. uma palavra por dia. todos os dias. sempre. esquecia da vida com aquela mão a pintar poemas de amor em cada tela derramada da sua pele.
aqui
'volte sem ter que viajar
veja tudo sem ter que olhar
faça tudo sem ter que fazer'
veja tudo sem ter que olhar
faça tudo sem ter que fazer'
