quarta-feira, 29 de maio de 2013

O prefácio do que vem a seguir.


(..) a cena é pitoresca, no banco em frente ao mar,  ela se deita de costas com os braços esticados como quem toma sol , ou esta na cruz.    se  pudesse agarrar o tempo nas mãos, poderia dizer que tinha controle sobre todos os gestos e todos os sentimentos. cada dia seria uma conjugação de todos os passos e ações premeditados . se isto implica uma suposta perfeição ou uma obsessiva forma de viver não saberia dizer. não, na realidade não queria propriamente o controle ou a perfeição .  o primeiro, é frustrante .  o segundo, enfadonho .  o que ela queria concretamente era atar nas mãos algumas certezas. comprová-las .  agarrar o tempo entre os dedos .  espreitar bem junto aos olhos. e, depois, deixar livre. deixar o tempo correr livre. solto e leve .  mas para já, ela queria agarrar o tempo nas mãos .  para comprovar e não desperdiçar o futuro.


Alice: Quanto tempo dura o eterno?
Coelho: As vezes apenas um segundo.
Lewis Carroll


3 comentários:

Dorli disse...

Oi querida

Eu nunca iria querer saber o resumo da minha vida, tenho certeza que não sabendo sofreria menos.
Mas é linda a composição poética.
Parabéns
Beijos
Lua Singular

Rovênia disse...

Num cantinho do meu quarto tenho o coelho da Alice, com o relógio nas patinhas. Se pudermos reter o eterno em um segundo, ainda temos alguma chance! Mas, sempre apressados demais, podemos perdê-la! :) Beijos!

Elisa T. Campos disse...

Um segundo de felicidade vale mais que a vida inteira.
Lindíssimo texto Margot.

Bjs.