quarta-feira, 29 de maio de 2013

No centro de um infinito

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  (..) os meus dias anoitecem devagar e se aconchegam na escuridão da noite. mas ás vezes, apenas por um momento, a vida pára.    para nesse instante eu poder ser tudo.  sentir tudo. qualquer coisa que tenho em mente pode, de repente, tornar-se real.  talvez me aches estranha, ou nem sempre esteja suficientemente atento para notar o que esta acontecendo comigo. esmiuço: é um intervalo no tempo, suspenso, que se limita a acontecer, não acontecendo.   isento de coordenadas.  flutuante no vazio. onde habitam todas as possibilidades, todas as hipóteses, todas as escolhas.  hoje, num batimento mais descompassado da hora, encontrei-me lá. no centro de um infinito de perspectivas, esperanças e probabilidades.  
é um tempo que gosto de ter.











[anoitecida pelo silêncio....aqui ]

O prefácio do que vem a seguir.


(..) a cena é pitoresca, no banco em frente ao mar,  ela se deita de costas com os braços esticados como quem toma sol , ou esta na cruz.    se  pudesse agarrar o tempo nas mãos, poderia dizer que tinha controle sobre todos os gestos e todos os sentimentos. cada dia seria uma conjugação de todos os passos e ações premeditados . se isto implica uma suposta perfeição ou uma obsessiva forma de viver não saberia dizer. não, na realidade não queria propriamente o controle ou a perfeição .  o primeiro, é frustrante .  o segundo, enfadonho .  o que ela queria concretamente era atar nas mãos algumas certezas. comprová-las .  agarrar o tempo entre os dedos .  espreitar bem junto aos olhos. e, depois, deixar livre. deixar o tempo correr livre. solto e leve .  mas para já, ela queria agarrar o tempo nas mãos .  para comprovar e não desperdiçar o futuro.


Alice: Quanto tempo dura o eterno?
Coelho: As vezes apenas um segundo.
Lewis Carroll


terça-feira, 28 de maio de 2013

A alma é uma borboleta


a euforia,
quando enche o coração,
esvazia a nossa cabeça.

deixa um vento diferente
na estação
que estremece justo
nos últimos degraus

o vento que espasma
a vida
que é instante.






´ o instante em que me darás a mão, 
não mais por solidão, mas como eu agora: 
por amor.´
Clarice Lispector